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Um discreto ator no M&A mira alguns bilhões de dólares em 2024

(NeoFeed) A butique Seneca Evercore movimentou US$ 3,8 bilhões em transações nos últimos 12 meses. E se prepara para o aquecimento das fusões e aquisições em 2024


Por Carlos Sambana - 24 de outubro de 2023


Nos últimos tempos, algumas transações movimentaram o mercado de M&A: o fechamento de capital da Arco; a venda da Sinqia para a Evertec; a venda da Luizaseg, da Magalu, para a Cardif; a venda da Odata para a Aligned e a compra da Neurotech pela B3. Em todos esses negócios um ator se destacou, ou do lado do vendedor ou do comprador, sem chamar a atenção: Seneca Evercore.

Em um mercado em que bancos e assessores disputam deals à tapa, a butique independente de M&A se consolidou como uma das principais do segmento. De acordo com a empresa de dados de Factset, nos últimos 12 meses, a companhia anotou um volume transacionado de US$ 3,8 bilhões – no período, ficou atrás somente do Morgan Stanley, com US$ 6 bilhões.

“A mais recente foi a da Magnetis que assessoramos na venda para o BTG”, diz Daniel Wainstein, sócio-fundador da Seneca Evercore, ao NeoFeed. Atualmente, a Seneca Evercore e a sua equipe de 30 bankers está com cerca de 35 deals na mesa. Mas são negócios que devem sair mais para o próximo ano. Afinal, muita coisa ficou represada neste ano.

“Até abril, estávamos recomendando aos nossos clientes para que segurassem os lançamentos de transações”, diz Wainstein. Mas aí o risco Brasil começou a cair, o cenário melhorar e o interesse internacional aumentar fazendo com que a recomendação mudasse. “Acredito que o primeiro semestre 2024, se não tiver uma catástrofe mundial e se não tiver um problema muito sério no Brasil, será de abundância”, diz Wainstein.

Traduzindo em números a “abundância” a qual ele se refere, é sair de um mercado de US$ 8,2 bilhões em M&As no primeiro semestre de 2023 (o segundo pior da série histórica, perdendo apenas para o período de 2020, da pandemia) e alcançar US$ 30 bilhões em deals. Um cenário, definitivamente, bem diferente do que o visto neste ano.

“Tivemos a maior crise de crédito que já vi em mais de 25 anos de carreira”, diz Wainstein. Tanto por conta da estilingada dos juros que saíram de 2% para 13,75% como também por casos como o da Americanas e da Light. “Muitas das transações que aconteceram sequer foram anunciadas porque ninguém levanta a mão para dizer que recebeu dinheiro de um fundo focado em distressed”, afirma.

Agora, com a esperada retomada do mercado, muitos empreendedores que seguraram a busca por capital para crescer sairão à caça de deals para growth ou para quitar dívidas. “As necessidades que as empresas tinham, em 2022, continuam. Tem aí a necessidade de capital para rebalancear a estrutura de dívida, como tem também para poder fazer investimentos que ficaram parados durante esse processo.”


Há, contudo, um terceiro ponto que promete movimentar os M&As no próximo ano: companhias que se enfraqueceram no período de escassez de crédito e que se tornaram alvo de grandes empresas com mais força no balanço e acesso a capital.

“O cara com acesso ao capital quer trazer para utilizar essa oportunidade. E o cara que, eventualmente está mais enfraquecido, muitas vezes entra nessa agenda de que o susto foi grande e talvez seja o momento de vender”, diz Wainstein.

Wainstein, obviamente, não tem uma bola de cristal, mas é bom prestar atenção na sua análise. Ele é um dos profissionais mais tarimbados nesse mundo de fusões e aquisições. Foi presidente do investment banking do Goldman Sachs no Brasil e, praticamente, montou a operação do banco americano por aqui.

Em 2013, saiu do banco para montar sua própria casa em sociedade com Rodrigo Mello, que também trabalhava no Goldman, e Isaias Sznifer. “Cheguei num momento em que eu realmente queria montar o nosso negócio. A Goldman é uma escola excelente, mas ela, como toda grande corporação, ela não é exatamente no lugar talhado para empreendedorismo”, diz Wainstein.

“A vinda para cá realmente permitiu com que a gente desse um novo nível de atenção para o cliente na transação mais importante da vida dele”, diz Wainstein. Além de indicações de clientes ou clientes que voltam mais vezes, Wainstein diz que o que acontece muito são contrapartes repetidas. “A gente já fez cinco deals com a XP do outro lado, mas a gente fez muito disso com BTG do outro lado.”

A Seneca Evercore formou, por exemplo, a WHG e vendeu para a XP. Outra venda realizada para a XP foi a de participação na sociedade da Monte Bravo, na época escritório de agentes autônomos e atualmente corretora. “Eles têm um perfil bem agressivo, entram no detalhe e são duros na negociação”, diz Filipe Portella, sócio-fundador da Monte Bravo, que contratou a butique de Wainstein para assessorá-lo.

Mas, além da venda em si, Portella diz que o que foi fundamental na negociação é que ajudaram a pensar em como seria o dia seguinte e os próximos passos do negócio. “Continuaram a participar mesmo depois do deal fechado”, afirma.

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