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Grandes operações deram o tom das aquisições em 2025

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    Seneca Evercore | Notícias
  • há 6 horas
  • 4 min de leitura

(Valor Econômico) Tendência, segundo executivos de bancos, é que setor de infraestrutura, incluindo energia, se mantenha aquecido para transações


As operações de grande porte garantiram os volumes da indústria de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no Brasil ao longo de 2025, um ano em que os juros altos deixaram mais caros os financiamentos dessas transações. Dados da consultoria Dealogic mostram que o volume anunciado ao longo do ano, considerando até metade de dezembro, somou R$ R$ 234 bilhões, em linha com o volume de 2024, de R$ 231 bilhões.


A percepção é que em 2026 haverá algum incremento nos volumes, muito embora o calendário eleitoral tenha o potencial de afetar parte dos negócios, principalmente se houver volatilidade cambial, algo historicamente típico para o período, contexto que pode afastar investidores estrangeiros. A indústria chegou a um pico em 2021, na pandemia, quando movimentou R$ 482 bilhões.


O responsável pelo banco de investimento do UBS BB, Anderson Brito, acredita que o volume de M&A no país vai se expandir cerca de 10% em 2026, para algo em torno de US$ 55 bilhões, com a fatia das operações envolvendo estrangeiros, chamadas de “cross border”, passando de 30% - marca de 2025 - para 35%. “Há muito interesse de europeu e asiático em Brasil."


Entre as principais operações de 2025 está a compra da fatia da Eldorado antes detida pela Paper Excellence pela J&F, encerrando um longo imbróglio societário. Uma operação envolvendo duas empresas listadas foi a união entre Marfrig e BRF, que criou a gigante MBRF. Outra operação de grande porte envolveu a aquisição da fatia detida pelo fundo de pensão do Banco do Brasil, a Previ, na Neoenergia pela Iberdrola. Uma das principais transações envolveu a Prio, que concluiu a compra de 40% da operação do Campo de Peregrino (e Pitangola) da Equinor. Houve ainda, mais no fim do ano, a venda dos aeroportos da Motiva. O setor de tecnologia foi também destaque com transações peso-pesadas, como a venda da Conta Azul para a Visma.


"Tivemos em 2025 um ano com mais diversificação de setores” — Diogo Aragão


O chefe global do banco de investimento do Itaú BBA, Roderick Greenlees, lembra que no ano ainda somaram para os volumes de M&A transações de ofertas públicas de aquisição (OPAs) que resultaram em fechamento de capital, como a da Serena. O executivo aponta que o setor de energia “seguirá sendo um contribuinte relevante para os volumes de M&A em 2026".


Levantamento da butique de M&A Seneca Evercore mostra que, ao longo de 2025, o setor de energia e recursos naturais representou uma fatia de 52% do total do volume transacionado, sendo que em 2020 foi de 10%. Conforme o sócio-fundador da Seneca, Daniel Wainstein, trata-se do maior volume desse segmento em 15 anos. “Acreditamos que 2026 pode ser um ano melhor para M&A, com a Selic atingindo patamares mais baixos, o que poderia impulsionar os preços dos ativos”, afirma. Com preços mais altos, acionistas podem voltar a considerar vender participações nas empresas.


Apesar de mais operações nesses setores, que pesam na balança por serem multibilionárias, houve contribuição de mais segmentos ao longo de 2025. “Tivemos um ano com mais diversificação de setores”, comenta o responsável pela área de M&A do Bank of America (BofA) no Brasil, Diogo Aragão. Ele lembra que, no Brasil, o setor de infraestrutura segue tradicionalmente o mais ativo, dado o grau de maturidade dessa indústria. Segundo o executivo, muitas transações estão indo para a rua e sendo apresentadas para potenciais compradores com a intenção de fechar negócios já no início de 2026. “A partir de abril, o fluxo já fica condicionado às eleições”, afirma. A questão, segundo ele, é que eleições historicamente trazem efeitos ao câmbio, algo crítico para a tomada de decisão do investidor estrangeiro.


André Moor, chefe do banco de investimento do Bradesco BBI, diz que o banco entrou 2026 com o pipeline bastante robusto e que muitas transações "são impermeáveis às eleições", O destaque, frisa, segue em infraestrutura e energia.


O responsável por M&A no Santander Brasil, Thiago Rocha, acredita que neste ano o tema eleição será de fato relevante, mas que as grandes transações seguem de forma independente. “2026 pode ser, de novo, um ano suportado por grandes transações, com um tamanho médio maior”, disse.


Para o chefe da área de M&A do Goldman Sachs no Brasil, Pedro Muzzi, os volumes de M&A neste ano devem ser melhores do que em 2025. O executivo aponta que, na instituição financeira, a fila de operações tem crescido desde setembro. Um agente de mercado que deve voltar a movimentar os volumes da indústria de M&A, segundo ele, são os fundos de private equity, que, sem janela para aberturas de capital para seus desinvestimentos, devem optar pela venda de suas participações. “Eles precisam desinvestir para conseguir captar novos fundos”, diz.


Por conta de volatilidade, muitas operações tiveram que contar com diferentes desenhos. O chefe da área de M&A do BTG Pactual, Alessandro Farkuh, afirma que o ano também foi marcado por transações mais estruturadas, algo que ocorreu exatamente por conta do cenário ainda de incerteza. “Em momentos como esse existe uma rediscussão enorme da forma mais inteligente de se alocar capital”, afirma Farkuh. “Há muitas transações que envolvem mercado de capitais e companhias de capital aberto”, complementa o executivo.


Antonio Coutinho, que comanda o banco de investimento do Citi no Brasil, diz que o ambiente para transações de fusões e aquisições foi ficando mais positivo ao longo de 2025. “O ‘pipeline’ ainda está dominado pelas grandes transações de infraestrutura”, afirma Coutinho. Ele aponta, por outro lado, que as operações no setor de energia, que todos os anos são destaque, perderam força em 2025, com menos participação das empresas do setor de renováveis, que vivem desafios por conta do “curtailment” (redução forçada da geração de energia).


Diego Mendes, corresponsável pela área de M&A da XP, diz que também espera um ano mais positivo para os negócios e que a melhora do desempenho das ações listadas ajuda a aproximar a percepção de valor dos ativos entre compradores e vendedores.




 
 
 

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