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Petróleo, energia, mineração: quais foram as maiores operações de fusão e aquisição do País em 2025

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    Seneca Evercore | Notícias
  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

(Estadão) Mercado de M&A movimentou mais de US$ 58 bilhões no ano passado, um crescimento de 26,5% em relação a 2024


Impulsionado por operações de grande porte no setor de energia e recursos naturais, o mercado de fusões e aquisições no Brasil movimentou mais de US$ 58 bilhões em 2025. Segundo levantamento da Seneca Evercore, com base em dados da MergerMarket, o volume representa um avanço de 26,5% na comparação com 2024 (US$ 45 bilhões), apesar de uma queda de 3% no número total de transações.


"O valor total é mais alto porque as maiores operações ocorreram em setores ligados a infraestrutura, em queo custo de capital e os investimentos necessários são maiores", diz Cleveland Prates, professor de economia da FGV-Law e de regulação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Evolução do mercado de fusões e aquisições no Brasil.



Ao todo, 843 operações de fusões e aquisições aconteceram no País em 2025. O setor de energia e recursos naturais (como petróleo, mineração e celulose) foi responsável por mais 50% do valor total movimentado (mais de US$ 30 bilhões).


Em 2020, essas operações representavam menos de 10% do volume. Mas, desde 2021, o segmento vem ganhando espaço, e o volume de movimentação foi o maior dos últimos 15 anos.


"Um dos fatores que explicam esse movimento é a natureza mais resiliente do setor, que é menos expostos às flutuações do mercado doméstico e às incertezas políticas e econômicas do País", diz Daniel Wainstein, sócio-fundador da Seneca Evercore. "А Selic alta tem tido um grande impacto na precificação das empresas."


As maiores transações do ano


A concentração setorial se reflete nas maiores transações do ano. Sete das 10 maiores transações realizadas no Brasil em 2025 foram no segmento de energia e recursos naturais, incluindo o maior negócio do ano: o Campo Offshore Peregrino.


Em maio, a petroleira brasileira Prio adquiriu 60% da operação do campo de petróleo marítimo (offshore) localizado na Bacia de Campos, no litoral do Estado do Rio de Janeiro.


O negócio, estimado em US$ 3,3 bilhões (cerca de R$ 17,8 bilhões), foi assinado com a a norueguesa Equinor. A Prio tem como acionista de referência o empresário Nelson Tanure, e está avaliada em pouco mais de R$ 37 bilhões.


"A Equinor está desinvestindo do setor, que já exploraram bastante, para investir em outros campos do Brasil. É algo normal neste mercado", diz Prates.


A aquisição do campo Peregrino, porém, não foi a única grande movimentação do ano. A segunda posição do ranking é ocupada pelo negócio com a Serena Energia, que passou por uma oferta pública de aquisição (OPA) e pela reorganização de sua estrutura societária.


Com o desinvestimento de parte da participação da Tarpon e a oferta liderada por um veículo de fundos ligado à Actis (em conjunto com o GIC), a operação movimentou cerca de US$ 2,8 bilhões e resultou no fechamento de capital da companhia.


O terceiro maior negócio foi a compra da Eldorado Brasil pela J&F, após quase uma década de disputa com a Paper Excellence, por US$ 2,7 bilhões.


Também chamam atenção a fusão entre a Marfrig e a BRF, que criou uma das maiores empresas de alimentos do mundo em um negócio de mais de US$ 2,25 bilhões, e a compra da fatia de 30% da Neonergia, da Previ, pela Iberdrola, em um acordo de US$ 2,2 bilhões e o aumento na participação da empresa na companhia elétrica para mais de 80%.



Tração em 2026 e novas áreas promissoras


Com a expectativa de queda dos juros, especialistas observam o mercado de fusões e aquisições com otimismo e projetam um 2026 mais ativo. O cenário, no entanto, ainda carrega riscos, como incertezas fiscais e o impacto do período eleitoral sobre os investidores.


"A expectativa de queda da Selic voltou a aquecer o apetite para M&As", comenta Wainstein, da Seneca Evercore."Porém, discursos populistas e altos gastos governamentais podem segurar esse cenário."


O executivo também observa a melhora na relação diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos como um combustível para este mercado. "Os EUA sempre foram o maior investidor e fonte de capital do País, mas tinham paralisado iniciativas. Nos últimos seis meses, a melhora no relacionamento fez com que eles olhassem com menos preconceito para cá", afirma.



O prognóstico de Wainstein é que, com a queda nos juros e mais aportes internacionais, novos setores ganhem destaque. "Devemos ver um ano mais intenso, com mais transações dos segmentos de tecnologia, serviços financeiros, fintechs e gestoras de fundos", comenta.


Por outro lado, Cleveland Prates entende que as transações que devem acontecer em 2026 vão além de fenômenos próprios do ano.


"Raramente você prospecta, decide e compra no mesmo ano. Então, o que vai acontecer em 2026 já foi pensado em 2025", diz. "As oportunidades e desafios oriundos da economia brasileira deste ano devem começar a se consolidar a partir de 2027 ou 2028".


 
 
 

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