M&As têm o melhor trimestre desde 2021 e atraem estrangeiros
- Seneca Evercore | Notícias

- 8 de abr.
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(Valor Econômico) Combinação da Odontoprev e Bradesco Seguros e venda da CBA para Chinalco e Rio Tinto foram os dois maiores negócios.
O mercado de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 em retomada, impulsionado por grandes operações e por uma corrida de empresas para fechar negócios antes do período eleitoral. Levantamento feito pela Seneca Evercore, entre janeiro e março, mostra que as operações movimentaram US$ 15,9 bilhões (cerca de R$ 82 bilhões no câmbio atual), alta de 30% em relação ao mesmo período do ano passado - o melhor resultado para o período desde 2021.
O avanço, no entanto, veio concentrado em menos transações: 153 no trimestre, ante 198 um ano antes - um sinal de que o mercado voltou a girar puxado por negócios de maior porte. Dois deles responderam por uma fatia relevante do volume: a combinação entre Odontoprev e Bradesco Saúde (Bradsaúde), estimada em US$ 5,8 bilhões, e a venda da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), de US$ 1,9 bilhão, que pertencia ao grupo Votorantim, para a chinesa Chinalco e a anglo-australiana Rio Tinto.
Para Daniel Wainstein, sócio da Seneca Evercore, o movimento reflete uma retomada dos M&As após dois anos mais fracos. “Muitas transações que tinham sido pausadas no ano passado voltaram neste início de ano.”
Segundo ele, empresas e investidores buscam aproveitar um ambiente ainda mais previsível no primeiro semestre para concluir operações diante de um cenário potencialmente mais instável por causa das eleições presidenciais a partir do segundo semestre. Em 2025, as operações de M&A somaram US$ 58,4 bilhões.
A incerteza política, diz, continua sendo um dos principais entraves para esse tipo de operação. “O que o mercado precisa é de menos incerteza. À medida que as pesquisas definam um cenário, fica mais fácil precificar ativos, pois a volatilidade diminui”, afirma. A expectativa, segundo ele, é que, com maior clareza sobre as eleições, as negociações avancem com mais fluidez.
Ao mesmo tempo, há sinais de melhora no apetite externo. Investidores estrangeiros - especialmente americanos - voltaram a olhar com mais atenção para o Brasil. “Com a China fora do mapa estratégico atual dos Estados Unidos e a Índia já saturada de investimentos, o Brasil é a principal ‘terceira via’ entre os mercados emergentes de grande escala”, diz.
Esse interesse tem se concentrado em setores como serviços financeiros, energia renovável e tecnologia. No sistema financeiro, há uma mudança em curso, com o avanço de plataformas independentes em áreas como gestão de patrimônio, seguros e crédito. “Existe uma verdadeira revolução no setor”, afirma. Segundo ele, esse movimento abre espaço tanto para novos investimentos quanto para fusões entre empresas menores.
O ambiente de crédito também tem contribuído para esse cenário. Empresas brasileiras vêm alongando o perfil de suas dívidas, substituindo empréstimos de curto prazo por captações mais longas no mercado de capitais. Para Wainstein, esse alongamento da dívida permite que os planos de investimento das empresas pressionem menos a geração de caixa, criando valor para os acionistas.
Com mais investidores ativos nesse mercado, companhias com estrutura de capital mais sólida têm aproveitado para consolidar setores fragmentados. “A oportunidade de fazer esse financiamento através de instrumentos de longo prazo muda muito o jogo”, afirma.
No recorte por setores, tecnologia liderou o volume de transações no trimestre, com 18%, seguida por consumo e varejo, com 15%, e instituições financeiras, com 14%. Além dos grandes negócios em saúde e mineração, o relatório aponta operações em telecomunicações, envolvendo a IHS Towers e a Desktop, e no setor de energia, com a Wilson Sons e ativos da Petrobras.
A expectativa é que o ritmo se mantenha no segundo trimestre. “A tendência é de continuidade da recuperação em relação a 2024 e 2025”, afirma Wainstein. A perspectiva de queda dos juros no longo prazo segue como um fator de estímulo, sobretudo para empresas que dependem mais de crescimento do que de grandes investimentos em ativos físicos, como as de tecnologia e educação.
Publicado em 08/04/2026 e disponível em: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/04/08/m-as-tem-o-melhor-trimestre-desde-2021-e-atraem-estrangeiros.ghtml




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