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Sem IPO, empresas intensificam venda de participação

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    Seneca Evercore | Notícias
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Aporte de recursos com entrada de investidor privado é alternativa ao mercado de capitais


Empresas brasileiras estão vendendo participações ou buscando outras soluções alternativas para driblar o hiato no mercado de capitais, que segue morno em um cenário de juros altos e volatilidade, tornando mais estreitas as janelas para captação de recursos. O mercado privado tem conseguido absorver parte dessa necessidade de capital, em um momento em que ainda há pouca visibilidade sobre a retomada do mercado acionário.


Outras empresas de capital fechado, por sua vez, estão analisando a possibilidade de realizar um “IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) reverso” para se tornarem listadas em meio a um mercado ainda adverso para novas listagens.


Além da entrada de investidor privado comprando fatia minoritária nas empresas com necessidade de capital, acionistas têm feito o papel de injetar recursos nas empresas. Foi isso o que ocorreu na Iguá, do setor de saneamento, que fez um aumento de capital, em maio, de R$ 700 milhões, conforme informou o Pipeline.


Estudo da Seneca Evercore mostra que, no ano passado, foram realizados 78 investimentos minoritários em empresas brasileiras, considerando as operações acima de US$ 10 milhões. Esse volume foi 26% acima da média da última década, e o melhor desde 2021. Neste ano, entre as operações realizadas, está a aquisição de 40% da FS pela Amaggi e a captação US$ 100 milhões da Enter, conforme publicou o Valor.


Em volume financeiro, essas vendas de fatias minoritárias somaram cerca de US$ 19 bilhões, aumento de 18,75% em relação ao ano anterior e praticamente o dobro do visto em 2023.


“Diferentemente do IPO, que exige ‘roadshow’ público, prospectos extensos e uma janela de mercado favorável, o ‘private placement’ [aporte privado] permite uma transação customizada, confidencial e ágil: a empresa negocia bilateralmente com um ou poucos investidores, e a estrutura é desenhada sob medida para o perfil do emissor e do investidor”, afirma o sócio da Seneca Evercore, Daniel Wainstein.


Neste ano, a B3 foi palco da primeira abertura de capital em quase cinco anos, com a estreia da Compass. A oferta ocorreu na esteira da necessidade da Cosan de levantar capital para equilibrar seu balanço. No entanto, apesar da quebra do jejum de IPOs, o ano não é apontado como sendo de retomada, dado o ambiente de volatilidade e juros altos. Projeções mais favoráveis para aberturas de capital já foram postergadas para 2027.


O responsável pela área de M&A (fusões e aquisições, pela sigla em inglês) do Bank of America no Brasil, Diogo Aragão, afirma que, sem o mercado público, empresas analisam captação no mercado privado. “Em mercado volátil, as empresas não deixam de captar, captam via M&A”, diz Aragão. Segundo ele, as gestoras de situações especiais, chamadas no mercado de “special sits”, vêm ocupando esse espaço, visto que conseguem costurar estruturas que muitas vezes são mais adequadas às características das companhias, que têm de estar, neste momento, capitalizadas.


Já Roderick Greenlees, responsável global pelo banco de investimento do Itaú BBA, afirma que o “private placement” tem sido mais observado em empresas de tecnologia e de alto crescimento, que precisam seguir investindo. O executivo observa que, em setores de infraestrutura, uma solução que tem sido utilizada pelas empresas é a atração de sócios para projetos específicos.


Um caso foi o da Energisa, que fechou um acordo com o Itaú para a venda de uma fatia minoritária em sua subsidiária Denerge, numa operação estruturada de R$ 1,4 bilhão que vai ajudar a estrutura de capital do grupo.


Danilo Borges, do Bradesco BBI, afirma que, em alguns casos, empresas acabam aceitando até mesmo a venda do controle para atrair investidores e, com isso, seguir crescendo. “Tem investidor que demanda o controle”, afirma o executivo. Borges destaca que as empresas com imóveis também estão se capitalizando com a venda desses ativos a fundos imobiliários, com estruturas chamadas de “sale and lease back”, que se trata de vender e alugar na sequência para seguir com o uso no dia a dia.


Borges, do BBI, lembra que outro movimento que tem sido notado em mais um ano adverso no mercado de capitais é a busca pelo chamado “IPO reverso”, uma operação de M&A entre uma empresa fechada com uma de capital aberto - com a empresa final se tornando aberta. Nessa situação, diz o executivo, a empresa fica já preparada para uma oportunidade de captação mais à frente, com a melhora do mercado. Este foi o caso de Bradesco Saúde e Odontoprev para criação da Bradsaúde, o maior IPO reverso já registrado até aqui, conforme publicou o Valor.


Publicado em 21/07/2026 e disponível em:



 
 
 

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